quinta-feira, 16 de setembro de 2021

silêncio


 










O teu silêncio confunde-me.

Reduz-me à minha insignificância.


sexta-feira, 10 de setembro de 2021


 

"Both fictions and memories are recalled and retold. They're both forms of stories. Stories are the way we learn. Stories are how we understand each other." 

Iain Reid

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

sobre o medo do desejo



 "Senti sempre um grande desejo de te tocar, apesar de conhecer os teus pânicos - ou talvez por isso -, a carícia só é intensa quando se tinge de gravidade...
Tocar-te o rosto, os ombros, deixar a mão deslizar sobre o teu peito quase adolescente, até te provocar arrepios onde o corpo se desfolha.
Falta-me a audácia, como vês...
E, no fundo, tenho medo, também eu, de me abandonar aos gestos, de embarcar neles para zonas sem refúgio."


Maria Graciete Besse
Incandescências

terça-feira, 3 de agosto de 2021

dreaming in green




"I would love to believe that when I die I will live again, that some thinking, feeling, remembering part of me will continue. But much as I want to believe that, and despite the ancient and worldwide cultural traditions that assert an afterlife, I know of nothing to suggest that it is more than wishful thinking.
The world is so exquisite with so much love and moral depth, that there is no reason to deceive ourselves with pretty stories for which there's little good evidence.
Far better it seems to me, in our vulnerability, is to look death in the eye and to be grateful every day for the brief but magnificent opportunity that life provides."

Carl Sagan
Billions and Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium



 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

abismos


 

"...há um momento em que tudo pode ser evitado. O desejo está ainda sob controlo o corpo não dói muito e o que dói passa com cigarros ou com álcool ou na pior das hipóteses com alguns comprimidos. Esta é só mais uma paixão mais uma história que terá o seu princípio e o seu rápido fim não trará nada de novo para quê entregar-me a ela. Se eu não acreditar nada se passará a história em si mesma não tem autonomia não tem realidade paremos enquanto é tempo. Mas logo vem o abismo e o desejo dele. Maior e bem mais perigoso do que o desejo do outro. O outro é só entremeio o abismo é a verdadeira tentação cai-se nele como num poço sem fundo buraco negro de onde não há saída mas em que se vibra tanto como num poço de luz. Daí a série de enganos. Toma-se o negro pelo branco o desejo por aquilo que não é. Até que tudo acaba."


Y. K. Centeno

Os Jardins de Eva

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Devagar


Se o vento não mudar

Vou dar até sentir

Que há uma razão 

Para crer que é bem melhor existir


Eu sei

Não vejo a luz em mim

Tão pouco em mais alguém

Só quis tocar o céu

Não quero mal a ninguém

Eu sei

Diz-te a canção do medo

Vê-se um dia o tempo não vos traz

Mas perde a noção do tempo

Quando eu amo é sempre devagar


Ornatos Violeta

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Tempus fugit


Tempus fugit (1)

O tempo foge
por entre os dedos
da mão
que se abre 
 ao vento.

O tempo escorre
até eu perceber
que o momento
de aprender
é o certo.


Tempus fugit (2)

Tão pouco tempo
para descobrir
o que a musa
me faz sentir.

Tão pouco tempo
para escutar
o que a maga
me quer contar.

Tão pouco tempo
para escrever
o que a Vida
me quer dizer.


Tempus fugit (3)

Os dias passam
fugidios
como quem corre
só para escapar
do destino
que não pode evitar.
As horas passam
fugidias
enquanto tu assistes
e te arrepias
pelos tempos idos
que não soubeste aproveitar.
És tu que passas 
pelo tempo
ou é ele
quem passa por ti?
Talvez nem uma
nem outra coisa.

Queres sentar-te
e recordar
o que não conseguiste
resolver.
Queres sentar-te
e pensar 
no que precisas
compreender.
Talvez não haja
antes nem depois.

Talvez o antes
e o depois
se possam resumir
num continuum
(in)temporal
num qualquer
aqui e agora.
Talvez possamos 
alterar o passado
e o futuro
como quem
constrói o presente.

Oh, porque aguardas
para aproveitar
esta oportunidade?
Porque guardas em ti
a vontade 
de observar (e alterar
o que julgaste ser)
a realidade?

Se te lamentas
sem agir
é como se quisesses
chegar mais ato
sem subir.
Se te julgas
sem perceber
é como se quisesses 
acelerar
sem correr.

Se te limitas
a insinuar-te (in)diferente
é como se afirmasses
estar bem
estando doente.

Se te consideras
incapaz de chorar
é como se quisesses
limpar-te
sem te lavar.
Se queres transmutar
sem te enfrentar
é como se quisesses
aprender
sem porfiar
sem compreender.

Se queres encarar-te
e recordar
entenderes-te
e alterar,
não receies magoar-te
nem hesites
em tentar
perdoar
e aprender
que a vida
só faz sentido
quando se sabe viver.

O presente faz mais sentido
se te souberes situar
entre um passado resolvido
e um futuro por abraçar.

E nesta ilusão do tempo
mantém firme a tua espada
atenta no melhor momento
por uma saída ou uma entrada."


Abílio Oliveira, Olhar Interior.